Na primavera da vida, lado a lado de mãos dadas ensaiamos nossos primeiros passos, pardais cantavam nosso amor, era tudo tão lindo e mágico.
Noutro dia, era o amanhecer de um verão, o calor da “liberdade” a acordara, você ousou correr mais rápido e me deixou. Por mais altos que foram meus gritos, aos teus ouvidos não se fizeram chegar, Aquele esplendoroso sol realmente a ludibriou.
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Mas hoje não se ouve os passarinhos, porquanto pra longe fugam. É chegado o inverno com seu individual belo-sinistro. Seus tornozelos se entregam ao cansaço e já não mais parece tão “livre” desfeita neste leito nevado. Ao levantar, vê distante aquele tempo das flores, é quando ao ensejar um simples passo, tombas pra frente, lhe despertando antigas memórias. É verdade! Neste momento recordas que naquele dia florido que aprendeu a andar, nunca caíste, uma vez que alguém ao seu lado sempre a apoiava.
*** Se olhares para os lados lembrando-se de mim, não me acharás!
Torna a olhar, desta vez para trás, que me encontrarás descaído ao chão, com as costas a sangrar e asas abertas em minhas duas mãos. Este foi o outono que não viste... o meu outono.
“Como foi tola em deixar tão cedo seu Anjo, Darling! Não sabias tu? Que quem verdadeiramente ama lhe nascem asas? Era só você ter seguido os pássaros, pois bem sabes que eles sempre cantaram nosso amor.”

